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O impacto do Thin Client no mercado

08/07/2006

Computadores magros (e baratos)

POR CRISTIANE BARBIERI

Em nome da redução de custo, grandes empresas como Tintas Coral, Marítima Seguros e Atento trocam PCs por máquinas sem processador.

Ao contrário dos PCs, o computador magro não tem disco rígido. Textos, planilhas, acesso a e-mail e internet são feitos por meio de programas instalados no servidor.

Cérebro central: Ao contrário dos PCs, o computador magro não tem disco rígido. Textos, planilhas, acesso a e-mail e internet são feitos por meio de programas instalados no servidor.

Nos últimos meses, empresas tão diferentes quanto Tintas Coral, Marítima Seguros, Grupo Ultra, Atento Teleserviços, banco BBVA e Telhanorte, entre muitas outras, ficaram mais magras. Pelo menos do ponto de vista tecnológico. Ao trocar seus parques de computadores, elas optaram por uma solução chamada thin client (TC), a computação magra.Com algumas pequenas variações, esse sistema elimina o disco rígido de cada computador, que passa a processar e armazenar informações em servidores centrais. Não é necessário ter para cada equipamento uma central com processador, memória, ventoinha e toda a parafernália das CPUs. “Substituir equipamentos é muito caro e a evolução tecnológica anda muito rápido”, afirma Claudiney Belleza, gerente de Tecnologia da Informação das Tintas Coral, que acaba de trocar 400 PCs por TCs. “Fizemos a opção por economia.” A solução não é exatamente uma novidade. Ela chegou ao Brasil na década de 90, mas foi nos últimos meses que grandes empresas resolveram adotá-la em massa.

O número de TCs vendidos no Brasil deverá passar de 90 mil, em 2005, para 120 mil este ano. “O mercado brasileiro esperou essa solução amadurecer e haver casos de sucesso lá fora antes de aderir a ela”, afirma Paulo Villas Boas, gerente da consultoria IDC. “A perspectiva de crescimento desse mercado nos próximos cinco anos é muito grande.”

Os motivos são simples: apesar de o custo de aquisição dos TCs ser pouco menor do que o de um PC (a diferença é inferior a 20%), a redução de custo a longo prazo supera os 70%, segundo as empresas fabricantes. Isso porque, na hora de atualizar os equipamentos, não é necessário fazê-lo em cada máquina. Os novos programas são instalados diretamente no servidor. Também não é necessário ter técnicos para trabalhar em cada computador em caso de falha ou pagar pelo licenciamento do software usado em cada máquina. Há ainda questões ligadas a armazenamento das informações com segurança e menor índice de infecção por vírus, sem contar que o sistema impede o uso do computador para fins pessoais, como baixar músicas e fotos. Outra vantagem, dizem as empresas fabricantes de TC, diz respeito ao consumo de energia. Enquanto o gasto de um PC é de 100 watts, o do TC é de 4 watts. “Isso reduz drasticamente os gastos com energia, inclusive ar condicionado”, diz José Oshiro, gerente de desenvolvimento de negócios de telecomunicações da Sun Microsystem. “É por isso que as empresas de call center estão apostando tanto nesse tipo de solução.” Os TCs também vêm sendo adotados em larga escala por escolas e faculdades, telecentros de ONGs e pelo sistema financeiro. “A tendência é que, futuramente, até mesmo caixas automáticos usem esse sistema”, afirma Paulo Ossamu, sócio-diretor da consultoria Accenture. “Os custos dos bancos em manter técnicos e manutenção em regiões remotas cairia muito.”

A evolução tecnológica anda muito rápido e tem custo muito alto

Belleza, da Tintas Coral: “A evolução tecnológica anda muito rápido e tem custo muito alto”.

Evidentemente, o TC não é adequado a qualquer uso. O equipamento não roda aplicações mais pesadas, como as necessárias em escritórios de engenharia, agências de propaganda e editoras. Mesmo os jogos de videogame podem ser muito pesados. Mas para usos cotidianos, como acesso à internet, edição de textos, planilhas e e-mail, a resposta do sistema é idêntica à de um PC. Apesar de esse mercado ainda ser muito pequeno em relação ao de computadores tradicionais – este ano deverão ser vendidos 6,5 milhões de PCs no País –, os fabricantes estão apostando no crescimento. Com 40% do mercado mundial de TCs, a americana Wyse aportou no Brasil no segundo semestre de 2005 e já planeja fabricar seus equipamentos no País até o fim do ano.

A Sun é outra empresa que está estudando a produção local. Já a brasileira Tecnoworld, líder do mercado nacional, conseguiu reduzir os preços verticalizando completamente a produção. “Conseguimos ter custos muito agressivos”, afirma Dante Casale, diretor-executivo da Tecnoworld. “Temos grandes expectativas para o Brasil”, completa Steve Sandler, diretor de vendas para a América Latina da Wyse. Pelo jeito, esse é um mercado em via de mudar.

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